LESÕES CEREBRAIS EM PACIENTE COM COVID
- Dr. Bruno Burjaili
- 31 de mar. de 2021
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Estas são imagens da ressonância magnética de um paciente com COVID que apresentou lesões no cérebro. Ainda não se sabe ao certo por que ocorrem, mas a principal hipótese é que o sistema imune reaja de modo inapropriado contra o tecido cerebral, como se estivesse confuso. Em termos técnicos, trata-se das lesões de substância branca, não confluentes, multifocais, hiperintensas em FLAIR e na difusão, possivelmente atribuíveis a processos imunológicos parainfecciosos.
Evoluções como essa são, naturalmente, raras, mas ilustram a gravidade que a doença pode adquirir, o quanto ainda temos a aprender sobre ela e a importância de se tomarem todas as medidas disponíveis oferecidas pela ciência, das quais se destacam o afastamento social e a vacinação.
Para quem quer saber a explicação de cada um dos termos acima:
- SUBSTÂNCIA BRANCA é a região do cérebro que contém uma substância chamada mielina; ela funciona como um isolante elétrico;
- NÃO CONFLUENTES quer dizer que as lesões não se juntam umas às outras;
- MULTIFOCAIS quer dizer que estão em vários locais diferentes;
- HIPERINTENSO quer dizer "branco" na imagem;
- FLAIR e DIFUSÃO são maneiras de se "fotografar" o cérebro, como se fossem filtros;
- PROCESSOS IMUNOLÓGICOS são aqueles que, via de regra, fazem a defesa do organismo contra invasores (como a ação de um exército);
- PARAINFECCIOSO é algo que ocorre em paralelo à infecção propriamente dita (no caso, os processos imunológicos, em vez de ocorrerem no combate direto ao vírus, seriam reações exageradas à distância, que acabam danificando o próprio organismo; algo como uma revolta dentro do exército).
Artigo original: Brain MRI Findings in Severe COVID-19: A Retrospective Observational Study, Radiology, Kremer et. al, 2020



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